A suplementação nutricional oral (ONS) em pacientes adultos com câncer submetidos à quimioterapia e/ou radioterapia foi avaliada por uma revisão sistemática e meta-análise de 24 ensaios clínicos randomizados, envolvendo 4.166 participantes. Os estudos compararam ONS com o cuidado usual, com intervenções de 4 a 24 semanas e doses variando entre 120 e 750 mL/dia. Além das meta-análises convencionais, foram realizadas análises de dose–resposta lineares e não lineares para investigar o impacto da suplementação sobre peso corporal, IMC, albumina, proteína C-reativa (PCR), fadiga, qualidade de vida (QOL) e PG-SGA.
Os resultados mostraram que a ONS promoveu ganho médio de peso de 1,18 kg, além de reduzir significativamente a fadiga e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Observou-se uma relação dose–resposta clara, com benefícios em fadiga e QOL já a partir de 200 mL/dia. Os maiores efeitos foram observados em torno de 400 mL/dia para redução da fadiga e aproximadamente 500 mL/dia para melhora da qualidade de vida. Em contrapartida, não foram identificados efeitos significativos sobre IMC, PCR ou PG-SGA. Para a albumina, foi observada apenas uma associação discreta em torno de 200 mL/dia em análises não lineares.
Em conclusão, a ONS contribui para o ganho de peso, melhora da qualidade de vida e redução da fadiga em pacientes oncológicos em tratamento, com benefícios dependentes da dose administrada. Os efeitos clínicos mais relevantes concentram-se entre 400 e 500 mL/dia, enquanto não há evidências consistentes de impacto sobre marcadores inflamatórios, IMC ou outros parâmetros laboratoriais. Dessa forma, o principal valor da suplementação está na melhora da condição clínica percebida pelo paciente, e não necessariamente em alterações de exames bioquímicos.